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História:
Das Origens à Independência
O território é habitado desde a Idade
da Pedra, como mostram as pinturas rupestres ao longo
da costa. Foi na Idade do Ferro que apareceram as primeiras
migrações de povos mais desenvolvidos, os Bantu. Vindos
do Norte, provavelmente da região dos Camarões, trouxeram
com eles novas técnicas -- metalurgia, cerâmica e a
agricultura -- totalmente adoptadas pelos nativos, criando
a partir desse momento as primeiras comunidades agrícolas.
A primeira migração de agricultores em Angola ocorreu
lentamente, ao longo de muitos séculos, dando forma
ás diferenças étnicas que perduraram até aos nossos
dias. Este processo de fixação ocorreu até ao Séc. X,
começando nessa altura a formação de grupos étnicos
e a consequente formação de reinos. Alguns grupos étnicos
como os Ovimbundu formaram vários estados mantendo a
união, de um antigo mas comum passado embora por vezes
um pouco longínquo. Provavelmente, as autonomias só
ficaram definidas no Séc. XIII, mas só mais tarde, no
Séc. XIX, o processo ficaria completo. Os reinos surgiram
devido ao estabelecimento do poder centralizado num
chefe com linhagem (Mani) que usando o seu prestígio
e o seu poder económico, conquistou o respeito da comunidade.
Os Estados formados são a prova da organização política
da comunidade e apareceram em diferentes e distanciadas
épocas. Enquanto o reino de Ndongo lutava com os Portugueses
(Séc. XVI) para preservar a sua unidade, o Kongo estabelecia
com a Europa relações comerciais regulares, o reino
de Luanda ainda não tinha sido fundado. Em 1482, a frota
Portuguesa chegava, comandada por Diogo Cão e desde
logo muitas mudanças ocorreram na estructura social/económica
das comunidades locais. Nos primeiros tempos da influência
Portuguesa - finais do Séc. XV - havia uma boa relação
entre o reino do Kongo e Portugal com trocas aparentemente
proveitosas para ambas as partes. Durante o Séc.XVI
os Portugueses desceram a costa até Sul e entraram no
planalto até ao Norte do rio Kwanza chegando finalmente
ao reino de Ngola (Ndongo) ao qual chamaram Angola.
Supomos que a fundação de Ndongo se reporta aos Sécs.XIV/XV
e que manteve uma interessante relação comercial com
os seus vizinhos.
Quando os Portugueses chegaram, no Séc.XVI, o Rei era
Ngola Kiluanji. Mais tarde (1576 - 1605) os interesses
Portugueses recaíram no grande potencial de minerais
que possuía o Reino de Ndongo. Depois, entre 1605 e
1641 o propósito dos Portugueses virou-se para a liderança
política do território, começando grandes campanhas
militares de modo a conquistar o interior. A troca de
escravos tornou-se no maior negócio dos Portugueses
e dos Africanos. Este novo negócio provocou um êxodo
de trabalhadores, o que fez com que os campos ficassem
sem trabalhadores, causando uma grande instabilidade
social e política nas comunidades locais. O Rei de Ndongo
- Ngola Kiluanji -- depressa disse não à submissão perante
a Coroa Portuguesa, provocando fortes movimentos militares
de forma a recuperar o poder à força. O controlo daquela
área iria possibilitar a captura de escravos. Os chefes
de Ngola resistiram devido à ajuda da Rainha Njinga
Mbande, considerada uma excelente política e o seu poder
permaneceu durante décadas. O controlo do território,
contudo, não era tarefa fácil Os Reinos de Matambe e
Kassange mantiveram a sua independência até ao Séc.XIX.
Em 1617, Manuel Cerveira Pereira chegou à costa Sul,
submetendo os sobas de Mudombe e Hanha ao seu poder
e fundaram o Reino de Benguela. Aqui, tal como em Luanda,
existia uma pequena colónia administrativa. As lutas
territoriais pelas terras de áfrica envolveram países
económica e militarmente mais fortes como a França,
a Inglaterra e Alemanha, o que provocou grandes problemas
para Portugal. Assim, Lisboa começou a sentir necessidade
de um controlo mais eficaz do território conquistado
e também de reconstruir a sua política colonial tendo
como meta uma permanente ocupação do território. A partilha
do continente iria dar-se mais tarde durante a Conferência
de Berlim. Em 1869, os territórios controlados pelos
Portugueses, Angola e Benguela, tornaram-se numa unidade,
com o estatuto de Província. Antes desta data, o grande
acontecimento foi a abolição da escravatura. Esta, no
entanto, não desapareceu tão rapidamente como se esperava.
Houve períodos de mudança, durante os quais ocorreram
grandes abusos e o tráfico aumentou, com a consequente
revolta da população .
Dizem alguns historiadores que no final do Séc.XIX,
a presença dos Portugueses no território era amorfa,
não oficial e algumas vezes um caos. A presença
de competição europeia tornou-se mais forte desde que
estes trataram da ocupação do território de uma forma
organizada. Esta nova situação obrigou as autoridades
portuguesas a fazer expedições com o objectivo de reconhecer
e conquistar o resto do território. No entanto não foi
uma tarefa fácil devido à resistência dos Reis do Kongo.
As campanhas nos planaltos no início do século. revelaram
a resistência da população e o poder dos Reis do Bailundo
e de outros Reinos independentes o que se tornou num
obstáculo para o controlo completo do território até
ao fim do primeiro quarto do Séc.XX. Em mais nenhuma
parte da áfrica tropical, qualquer poder colonial teve
de usar tantos homens durante tanto tempo para afinal
conquistar tão poucos inimigos - enfatiza o historiador
Palissier. Além do longo e difícil estabelecimento,
o final do Séc.XIX iria marcar a organização de uma
administração colonial de acordo com o espaço e com
os homens a ser controlados. A estratégia escolhida
para controlar a economia era baseada principalmente
na agricultura e na exportação de matérias - primas
que a colónia produzia. O comércio de borracha, marfim
e outros bens, deram grandes lucros a Lisboa, incluindo
impostos cobrados à população. O início do Séc.XX, marcou
outras mudanças na política portuguesa em Angola. A
Coroa, apesar dos fracos recursos, decidiu desenvolver
a colónia, mas não o fez de uma forma muito convincente.
A queda da Monarquia em Portugal e uma favorável situação
internacional levaria a novas mudanças, para um nível
administrativo, educativo e agrícola. O Estado Novo
nasce e estende-se a Angola desde logo. Para os novos
líderes, Angola era mais uma Província Portuguesa. A
presente situação era aparentemente calma. No segundo
quaarto do Séc.XX, esta situação calma tornou-se agitada
com a criação de movimentos nacionalistas. A formação
de organizações políticas começou na década de 50 com
a defesa dos seus direitos. Promoveram várias campanhas
diplomáticas mundiais gritando pela Independência. O
poder colonial insistia, no entanto, em não abdicar
das propostas das forças nacionalistas, provocando conflitos
armados directos, a Força Armada. As organizações
mais conhecidas envolvidas na luta são o MPLA (Movimento
Popular da Libertação de Angola) fundado em 1956; FNLA
(Frente Nacional para a Libertação de Angola) que surgiu
em 1961 e a UNITA (União Nacional para a Independência
Total de Angola) em 1966. Depois de muitos anos de guerra,
o País alcança finalmente a Independência a 11 de Novembro
de 1975.
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